Serviço Social realizou semana acadêmica

 11 de agosto de 2026 - 10h29

       Entre os dias 03 e 07 de agosto, foi realizada a Semana Acadêmica de Serviço Social, organizada pelo Centro Acadêmico de Serviço Social (CASS) da UFPR, em conjunto com estudantes do curso. O tema do evento foi “A condição da mulher na sociedade contemporânea: diálogos entre raça, classe e gênero”. A programação incluiu espaços de formação, reflexão, cultura e organização política. Segundo as organizadoras discutir a condição das mulheres na sociedade exige considerar as diferentes formas de desigualdade e opressão que atravessam suas vidas, especialmente a partir das relações entre classe social, raça e gênero.  

       Na segunda-feira (03/08) aconteceram uma série de oficinas culturais e formativas, como relatou a estudante Jully Dalzoto: “Contamos com o Movimento CRIA, responsável pela oficina de Slam, proporcionando um espaço de expressão artística e reflexão por meio da poesia; com os artistas Pedro Drope e Noob, na oficina de Grafite, aproximando a arte urbana das formas de resistência e expressão política; com a professora Layliene, na oficina sobre Machoesfera, que possibilitou discutir as novas formas de reprodução do machismo e da misoginia no ambiente digital; e com a professora Mikaella, na oficina de Defesa Pessoal, realizada em parceria com o projeto Cor-di-dança, fortalecendo o debate sobre autonomia, proteção e enfrentamento à violência contra as mulheres”. 

        Na terça-feira, foi realizada a Mesa Magna sobre a Rede de Proteção, com a participação da delegada da Delegacia da Mulher de Paranaguá, Maria Nysa, e da assistente social da Defensoria Pública, Janaine Santos. Na quarta-feira, aconteceram as rodas de conversa, construídas a partir da participação dos próprios estudantes e de projetos de extensão, com a apresentação de resumos. Os debates abordaram temas relacionados aos movimentos sociais e à garantia de direitos nas áreas da educação e da saúde para as mulheres, possibilitando a troca de experiências, conhecimentos e perspectivas entre os participantes. A proposta foi fortalecer uma formação crítica e comprometida com a realidade social, para além dos espaços tradicionais de sala de aula. 

       Na quinta-feira, a programação continuou com uma roda de conversa sobre movimentos sociais e movimento estudantil, destacando a organização coletiva, a participação política e a construção de espaços de luta dentro e fora da universidade. O momento permitiu refletir sobre o papel dos estudantes enquanto sujeitos políticos e sobre a importância da organização coletiva para reivindicar direitos e transformar. No último dia, foi realizada uma aula pública em alusão aos 20 anos da Lei Maria da Penha, discutindo a trajetória da legislação, seus avanços, seus limites e os desafios para os próximos anos no enfrentamento à violência contra as mulheres. A atividade contou novamente com a participação da delegada Maria Nysa e foi iniciada com uma apresentação de Slam da poeta de Guaratuba “Caçulinha de Deus”. 

        Mais do que uma programação acadêmica, a Semana de Serviço Social buscou construir um espaço de formação crítica, cultura, diálogo e organização coletiva, reafirmando o compromisso do Serviço Social com a defesa dos direitos humanos, o enfrentamento às desigualdades sociais e a luta contra todas as formas de opressão e violência. A partir do debate sobre raça, classe e gênero, foi possível compreender que a condição das mulheres não pode ser analisada de forma isolada, mas deve ser relacionada às estruturas sociais que produzem e reproduzem desigualdades. 

        A construção coletiva do evento reafirmou a promoção da universidade pública, democrática, popular e socialmente referenciada na qual a formação profissional esteja articulada às necessidades e às lutas da classe trabalhadora. Para a estudante Jully Dalzoto, o evento foi especialmente significativo pois foi uma oportunidade de acompanhar e participar de uma programação construída de forma coletiva e comprometida com a realidade social. “As discussões sobre gênero, raça e classe possibilitaram refletir sobre as diferentes formas de desigualdade presentes na sociedade e sobre o papel do Serviço Social diante dessas questões. A Semana também mostrou, na prática, a força do movimento estudantil organizado. Quando estudantes se organizam, constroem coletivamente e ocupam os espaços da universidade, conseguem não apenas promover atividades, mas também fomentar debates, questionar a realidade e construir possibilidades de transformação”, concluiu a estudante. 

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