via LEC-UFPR
Um monitoramento aéreo realizado pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), por meio do Projeto de Monitoramento da Megafauna na Zona Costeira do Paraná (MegaCoast), resultou em importantes registros da fauna marinha no litoral paranaense durante este final de semana (18 e 19 de julho). A ação foi realizada em parceria com o Instituto Água e Terra (IAT), com apoio do Centro de Operações Aéreas do Instituto Água e Terra (COA-IAT), como parte das ações do Projeto MegaCoast – o qual é desenvolvido em parceria pelo LEC-UFPR e pela Associação MarBrasil, com recursos do Programa de Conservação da Biodiversidade do Litoral do Paraná (FUNBIO).
Durante a operação, as equipes sobrevoaram toda a costa do estado e registraram mais de 60 ocorrências de animais marinhos, entre estes, golfinhos, baleias, tartarugas marinhas, tubarões e raias, incluindo uma ocorrência inédita para o projeto: dois indivíduos de baleia-de-Bryde (Balaenoptera brydei) que se deslocavam na região próxima da Baía de Guaratuba.
Ao longo do monitoramento foram avistados grupos de botos-cinza (Sotalia guianensis), toninhas (Pontoporia blainvillei), grupos de tubarões e diversas raias, além de um indivíduo de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta). O conjunto de registros evidencia a diversidade de animais marinhos presente na costa paranaense durante este inverno, reforça a relevância das áreas de conservação, determinadas como prioritárias pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), assim como amplia o conhecimento sobre a distribuição dessas espécies na região, as quais são ameaçadas de extinção.
O principal destaque foi o registro de dois indivíduos da baleia-de-Bryde, espécie oceânica pouco observada no litoral do Paraná e que possui poucos registros de avistagem, sendo classificada em Listas de Espécies Ameaçadas como ‘Dados Insuficientes (DD)’. “Estes registros ampliam o conhecimento sobre a presença e o uso da nossa costa pelas diferentes espécies, contribuindo com políticas públicas nacionais quanto à conservação e gestão costeira. A baleia-de-Bryde já foi avistada em nossa região em outros anos, mas não sabemos sobre a frequência de uso e sobre a importância do Paraná para a espécie”, explica Daiane Marcondes, pesquisadora do LEC-UFPR e integrante do Projeto MegaCoast.
O monitoramento aéreo é uma parceria importante entre a universidade e a gestão ambiental do Estado e complementa as ações realizadas pelo Projeto MegaCoast, que investiga a ocorrência, a distribuição, o uso do habitat e os riscos à conservação
de grandes animais marinhos no litoral do Paraná. A partir dos registros obtidos, os pesquisadores conseguem identificar áreas prioritárias para conservação, compreender padrões de movimentação dos animais e fornecer informações que apoiam a gestão pública para tomada de decisão, assim como respondem às demandas do Brasil junto a convenções internacionais.
Além dos sobrevoos, a equipe do LEC-UFPR também vem realizando campanhas embarcadas para monitorar as baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) registradas nas águas do Paraná nas últimas semanas. Durante essas expedições são realizadas observações comportamentais, identificação dos indivíduos, avaliação de uso da região e monitoramento acústico, permitindo acompanhar a passagem dos animais pela costa paranaense durante a temporada migratória, coleta de dados biológicos e avaliação de ameaças à espécie na região
Segundo a coordenadora do LEC-UFPR, Camila Domit, o conjunto de esforços e o uso das diferentes metodologias fortalecem a produção de conhecimento sobre a biodiversidade marinha do Estado e avançam na base de dados para orientar tomadores de decisão e a gestão territorial. “Integrar monitoramentos aéreos, embarcados e com uso de diferentes métodos permite registrar e avaliar a fauna, compreendendo como essas espécies utilizam o litoral paranaense e a importância de nossa região para as discussões nacionais e internacionais nesta Década do Oceano. Os registros são uma oportunidade de gerar conhecimento científico e contribuir para ações de conservação e gestão desse ecossistema”, destaca.
Os pesquisadores reforçam que a participação da população também é fundamental para ampliar o monitoramento. Registros de animais marinhos podem ser comunicados ao LEC-UFPR por meio do formulário disponível em: https://www.lecufpr.net/viu-algum-animal. Sempre que possível, é importante informar a localização aproximada, a data e anexar fotografias ou vídeos, mantendo distância segura dos animais e respeitando a legislação ambiental.

