UFPR 20 anos: confira o discurso da diretora setorial

 29 de agosto de 2025 - 19h16

Discurso proferido pela diretora do Setor Litoral, Vanessa Andreoli, na solenidade em comemoração aos 20 anos da UFPR Litoral

Boa noite a todas e todos,

É com grande alegria que cumprimento, em primeiro lugar, o magnífico Reitor, prof. Sunye, nossa Vice-Reitora, Prof. Camila, e em nome deles todos os colegas da gestão da UFPR aqui presentes. Cumprimento e agradeço o Coro da UFPR que nos presenteou com essa linda apresentação. Cumprimento também a Secretária de Turismo Kássia, aqui representando o prefeito de Matinhos, Sr. Eduardo Dalmora. E um faço um cumprimento especial as nossas trabalhadoras e trabalhadores da UFPR Litoral, técnicos, docentes e terceirizados, nossos queridos e queridas estudantes, nossos parceiros, projetos e comunidades locais, bem como as autoridades e demais representantes de instituições presentes, e, por fim, saúdo nossos amigos e amigas, e todas as pessoas que contribuíram e contribuem para o fortalecimento da nossa universidade e da nossa comunidade.

Gratidão pela presença e sejam todas e todos muito bem-vindos!

Bem, é difícil começar uma fala como essa em um momento que nos atravessa, nos emociona e também nos convoca. Estamos aqui celebrando 20 anos do Setor Litoral da Universidade Federal do Paraná. E, com todo o respeito que essa instituição centenária merece, é preciso dizer: o Setor Litoral nunca foi só mais um campus. Ele é uma experiência viva, ousada, construída com o coração, com a escuta e com os pés firmes no território.

Uma universidade com os pés na areia sim, mas com os olhos no horizonte, sempre.

Então há 20 anos, nasceu um projeto diferente. E não diferente somente por estética, mas diferente por essência. O Setor Litoral nasceu com uma proposta pedagógica que é essencialmente política. E quando digo  política, não é no sentido institucional apenas, é no sentido de compromisso com a transformação social, da verdadeira função social da universidade pública.

Um projeto que decidiu não seguir o caminho mais fácil, o caminho do já dado, do modelo pronto. Mas que decidiu olhar para o litoral do Paraná e dizer: Aqui precisa existir uma universidade que faça sentido para esse território, para essas vidas, para essas histórias.

Ousou ouvir o território. Ousou ouvir os saberes populares, as comunidades tradicionais, os movimentos sociais, e dizer: vocês também fazem parte da universidade pública. E aqui, vocês não vão só entrar, vocês vão construir junto.

E foi assim que a gente começou. Ouvindo. Pisando o chão do litoral com respeito, dialogando com quem está na linha de frente na luta por dignidade nesse pedaço de mundo tão rico e tão negligenciado que é o litoral do Paraná. E isso, gente, não é pouca coisa.

Bem, mas nem tudo foi glória, claro. Foram muitos dias de luta. Foi tudo, menos fácil. O Setor Litoral foi gestado na escuta e parido na resistência. Nasceu da adversidade. Foram complexos desafios, a falta de estrutura, as disputas internas, a incompreensão de quem olha de fora sem entender a grandeza do que estava sendo construído. Quantas vezes tivemos que justificar a nossa existência dentro da própria universidade? Quantas vezes fomos vistos como experimentais, alternativos demais? Quantas vezes fomos pressionados a nos encaixar em moldes que não fazem sentido para o nosso contexto? Mas foi justamente nesses momentos de tensão que a nossa identidade se firmou e se fortaleceu. E, mesmo enfrentando incompreensões dentro e fora da própria universidade, seguimos. Porque sabíamos o valor do que estávamos construindo e estar aqui hoje é uma prova viva dessa história.

Por isso, quero começar agradecendo, em nome da direção, a quem deu e dá vida a tudo isso, iniciando pelas nossas queridas e queridos estudantes. Vocês são a razão de tudo isso. Estamos aqui por vocês, e é para vocês que esse Setor existe. Obrigada por acreditarem nesse projeto mesmo quando ele parece difícil demais. É por vocês que a gente segue.

Aos nossos professores e professoras que já passaram ou ainda estão por aqui: vocês fazem um trabalho imenso, um trabalho incrível. Aqui, ensinar exige mais… exige mais sensibilidade, mais disposição para o novo, mais abertura para o diálogo, mais coragem para sair da zona de conforto. Exige presença, exige escuta, exige abertura. Obrigada por manterem a chama sempre acesa.

E aos nossos técnicos e técnicas administrativas: nada do que fazemos seria possível sem vocês. Vocês são a base que sustenta o dia a dia e permite que nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão aconteçam: vocês acolhem, resolvem, constroem. Muito obrigada.

Quero também expressar nossa profunda gratidão as trabalhadoras e aos trabalhadores terceirizados. Reconhecemos e valorizamos o papel de cada um e cada uma, e reafirmamos nosso respeito e apreço por esse trabalho que muitas vezes passa despercebido, mas que é absolutamente indispensável no nosso dia a dia.

Também quero reconhecer e agradecer às gestões setoriais anteriores. Cada uma enfrentou seus próprios desafios. Construir um projeto institucional tão inovador, dentro de uma universidade centenária, não é simples. Foi preciso coragem e disposição pra defender esse projeto, e vocês tiveram. Saibam que somos continuidade, somos parte de uma longa travessia.

Quero agradecer profundamente também aos nossos parceiros e parceiras locais. São vocês que nos mantêm enraizados, que nos desafiam, nos provocam e nos lembram todos os dias do porquê existimos. Sem o diálogo constante com as lideranças, com os movimentos populares, com as prefeituras, escolas, associações, redes culturais, organizações da sociedade civil, o Setor Litoral não teria sentido, com certeza.

E por fim, agradecemos aos municípios, ao Estado, ao governo e a reitoria da época que nos acolheu e lutou junto para que a UFPR Litoral nascesse e fizesse a diferença no desenvolvimento territorial sustentável daqui e também do Vale do Ribeira.

Queria aproveitar pra comentar rapidamente um pouco da minha trajetória. Entrei na UFPR como estudante no ano 2000. E desde então, nunca mais saí. Essa universidade me acolheu, me formou, me desafiou. Me fez quem eu sou. Desde cedo, sendo pedagoga, eu sonhava em ser professora em um lugar como o Setor Litoral, onde a educação transforma, não conforma. Então hoje a direção desse Setor é, para mim, um imenso aprendizado e uma honra, claro, mas, mais do que isso, sei que é uma grande responsabilidade. Estar aqui não é sobre um cargo. É sobre compromisso. É sobre afeto. É sobre devolver à universidade um pouco de tudo o que ela me deu. Porque sei o quanto custou construir esse espaço e sei o quanto ele precisa ser cuidado, defendido e reinventado todos os dias.

Então é hora de celebrar, sim, mas também de refletir. O Projeto Político Pedagógico que guiou nossa criação foi revolucionário. Foi ele que nos deu coragem para fazer diferente. Mas muita coisa mudou nesse litoral e no mundo em 20 anos. Mudaram os contextos sociais, econômicos, ambientais, mudaram os sonhos da juventude, a forma de viver, os desafios e conflitos do território. E nós, enquanto universidade pública, viva e comprometida, precisamos mudar também. O território fala. E a universidade precisa ouvir.

O litoral nos chama para refletir sobre nossos papéis, sobre nossa presença, sobre nossas práticas. É por isso que, neste momento tão simbólico, quero destacar que nosso PPP precisa ser revisitado. Repensá-lo

é reconhecer que o mundo mudou, não para negar o que fomos, mas para repactuar o que queremos ser daqui pra frente. Um pacto com o futuro que queremos construir juntos. E o que queremos, afinal?

Queremos continuar sendo um Setor que transforma, sem dúvida. Queremos uma universidade que continue sendo um espaço de liberdade, de afeto, de justiça, de invenção. Uma universidade onde os saberes acadêmicos jamais deixem de dialogar com os saberes do território, sem hierarquia, sem arrogância, com humildade. Queremos e precisamos reafirmar que nós escolhemos um outro jeito de fazer universidade. Um jeito em que ensino, pesquisa e extensão caminham juntos, de mãos dadas com os estudantes, com o território, com os sonhos de uma educação pública justa, e que cumpre a função social do seu caráter público.

Sabemos e concordamos que precisamos fortalecer nossos cursos, ampliar o acesso e a permanência dos estudantes, consolidar nossa estrutura física, garantir recursos, defender a universidade pública diante de tantos ataques. Mas isso só é possível se continuarmos a ter pessoas incríveis que acreditam nesse projeto e colocam a alma no que fazem e a mão na massa, então contamos com toda nossa comunidade acadêmica para continuar escrevendo essa história!

Para terminar queria dizer que o Setor Litoral tocou e transformou muitos corações. Tocou o meu, e tenho certeza que tocou o de muita gente que está aqui hoje. E também de gente que já passou por aqui. É por isso que ele segue vivo. Porque é feito de gente que sonha, que luta, que cria, que cuida, que resiste, que acredita. Então eu desejo profundamente que venham mais 20, mais 50, mais 100 anos de uma universidade que pulsa com o território, que aprende com o povo, que se inventa e se reinventa, e enfrenta, sempre, sem medo e com esperança!

Parabéns a todos e todas que fazem parte desse história! Parabéns a nossa comunidade acadêmica! Viva a UFPR Litoral! Muito obrigada!

Matinhos, 25 de agosto de 2025

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